sexta-feira, 22 de março de 2019

Anthem e a arte de desesperar com as actualizações dos jogos modernos


A experiência de jogar jogos actuais tem-se afastado cada vez mais daquela "fantasia" de que se poderá clicar em algo e jogar de imediato, em vez disso tornando-se numa longa sessão de tortura capaz de levar um mestre zen ao desespero.

Quem por cá andar há algum tempo saberá que há muito que tenho reclamado do rumo que os jogos em PC levaram, por conta de todo o DRM, sistemas anti-cheat, e todo o demais lixo que obrigam a instalar num computador, e que fica permanentemente a ocupar recursos mesmo que seja um jogo que se jogue apenas uma única vez e nunca mais se volte a tocar. O facto de hoje em dia muitos deles se esconderem atrás de "lojas" não ajuda, já que também se vão multiplicando: Steam, Origin, UPlay, Epic, etc.

A inspiração para hoje veio do Anthem, mas a crítica - infelizmente - é algo que se aplica de forma geral e global a muitos mais jogos. E, também infelizmente, a minha tentativa de me escapar para as consolas, como forma de evitar isto, não impede que também elas estejam repletas dos seus próprios problemas... mas isso seria tópico para outra conversa.


Vamos então ao Anthem. Um jogo que me seduziu desde os seus primeiros "trailers", e que me fez violar a minha regra de não fazer pré-compras de jogos.


Não vou falar do absurdo que é neste jogo, visualmente impressionante, que nos coloca na pele de autênticos "super-homens" quando envergamos os poderosos fatos robot chamados Javelin, estarmos constantemente a ser confrontados com ecrãs de loading - mesmo que se esteja num PC com 32GB de RAM. Mais crítico ainda parece-me ser o tipo de coisas que a maioria das pessoas já poderá considerarem serem "normais".

Tendo algum pouco tempo livre, decidi então lançar o jogo para fazer mais uma aventura pelo vasto mundo do Anthem. Em vez dos 10 a 15 minutos em que esperava poder divertir-me com o jogo (descontando os tempos de loading), foi isto a que tive direito:

1) Foi preciso actualizar o Origin - pronto, lá terá que ser...

2) Anthem precisa de ser actualizado 

Que remédio... Mas só passado alguns momentos me apercebi que a actualização tinha algo como 43GB! Isto nem devia ser chamado de actualização, mas sim de um jogo completamente novo, não?

Foi da maneira que dei uso à ligação de 1Gbps da Vodafone, com os gigabytes a chegarem a bom ritmo... até chegar aos 40GB. Quando eu pensava que a coisa já estaria prestes a terminar, a velocidade de download passou das dezenas de megabytes por segundo para umas centenas de kilobytes; prolongando a estimativa dos 3GB restantes para algumas horas! Não vou dizer que seja traffic shaping por ter descarregado 40GB "num instante"... mas, se não é, parece.

Em desespero, decidi dar uso aos gigabytes móveis que tenho disponíveis via hotspot mobile e que raramente gasto; e pronto, via 4G lá conseguir regressar a velocidades decentes (e a cada segundo que passava me recordando que era ridículo ter ali ao lado a "fibra de 1Gbps"!)

Por fim, lá chegaram os 40 e tal gigabytes da actualização e...

3) Anthem precisa de mais uma actualização

Não estou a brincar. Mal acabou de descarregar os mais de 40GB, começou imediatamente a fazer mais uma actualização, desta vez com "apenas" 3GB - que continuavam lentos caso fossem feitos via fibra, e que voltaram a subtrair 3GB ao plafond da internet móvel para que tudo isto pudesse ser finalizado quanto antes.

4) Downloads finalizados - a actualização começa

Como já seria de esperar, depois de todo o tempo perdido a descarregar quase 50GB de actualizações, chega o momento de as aplicar. Estando-se a falar de dezenas de gigabytes, já se poderia imaginar que não seria coisa rápida... e assim se veio a comprovar. Não cronometrei, porque nessa altura já tinha entrado em transe, esquecendo-me da ideia original de que tinha alguns minutos para me divertir a jogar um jogo - mas seguramente terá demorado mais de 5 minutos só neste processo de fazer cantar o disco rígido.

5) Finalmente o jogo está pronto para jogar

O tempo livre que tinha para jogar o jogo há muito que se tinha esgotado, e já nem vontade tive para sequer lançar o jogo e apreciar os seus tempos de carregamento. Resta-me apenas o consolo de que, caso tivesse optado por jogar o jogo numa PS4, me ter arriscado a ficar com a consola bloqueada, e o agradecimento de - pelo menos por agora - no smartphone ainda haver jogos que se podem jogar de forma imediata sempre e quando se deseja, e que ajudaram a disfarçar todo o tempo que este processo demorou.


... Não quero é sequer pensar que, daqui por uns dias, quando decidir experimentá-lo novamente, tudo isto se venha a repetir.

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